Crise no STF escala: Moraes pede investigação contra Mendonça
Crise no STF escala: Moraes pede investigação contra Mendonça
Há poucos dias, mostramos aqui como uma crise institucional colocou dois ministros do STF em rota de colisão, com decisões monocráticas conflitantes sobre a direção da Polícia Federal, no contexto da investigação do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Naquele momento, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, havia suspendido as duas decisões e marcado uma sessão extraordinária para 15 de setembro.
Nos últimos dias, o quadro ficou mais grave. Alexandre de Moraes formalizou um pedido de investigação contra André Mendonça, e Fachin decidiu como vai tratar os dois casos daqui pra frente.
Moraes contra-ataca: pedido de investigação contra Mendonça
Em 3 de setembro de 2026, Moraes enviou a Fachin decisões e documentos da Polícia Federal apontando o que classificou como "fortes indícios" de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos por parte de Mendonça, na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
Segundo a petição, as condutas atribuídas a Mendonça se dividem em três frentes: interferência na direção dos trabalhos da Polícia Federal, participação irregular em acordos de colaboração premiada e direcionamento de investigações por motivação pessoal e política.
Um ponto chama atenção: ainda de acordo com Moraes, Mendonça teria direcionado investigação contra outros ministros da própria Corte, incluindo o próprio Moraes, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.
Vale repetir aqui o que já dissemos no post anterior: são alegações formuladas por um ministro contra outro, ainda em apuração. Não há, até agora, nenhuma conclusão de órgão competente sobre culpa de qualquer um dos envolvidos.
Moraes enviou a documentação a Fachin "para as medidas que entender cabíveis" e determinou o levantamento do sigilo do material, com notificação à Procuradoria-Geral da República.
O gesto de tornar público o material, em vez de mantê-lo em sigilo, tem um peso próprio. Ao abrir o conteúdo à PGR e, por consequência, ao escrutínio público, Moraes transformou uma disputa que já vinha se desenrolando em decisões monocráticas isoladas em algo formalizado, com trâmite definido e destinatário certo: o presidente da Corte, a quem cabe agora decidir os próximos passos em relação a Mendonça.
Fachin separa os julgamentos
Fachin negou o pedido de julgamento simultâneo dos casos de Moraes e de Mendonça. Optou por manter os dois processos separados, cada um em sua própria sessão.
O caso envolvendo Moraes foi pautado para hoje, 15 de setembro, às 10h, em sessão extraordinária do Plenário. Está em discussão a Petição 16.662, que trata da regularidade da ordem que aprofundou a análise dos dados do celular de Vorcaro, se essas informações podem ser aproveitadas como prova e qual o destino dos elementos que envolvem o próprio Moraes.
Já a análise do caso envolvendo Mendonça ficou para uma data posterior, agendada para 23 de setembro.
Na prática, o Plenário vai discutir separadamente duas frentes da mesma crise, cada uma no seu tempo, sem um julgamento único que amarre as duas situações. Isso significa que o desfecho de hoje, sobre a Petição 16.662, não resolve nem antecipa o que será discutido em relação a Mendonça daqui a uma semana. São duas decisões distintas, com efeitos próprios, ainda que nascidas do mesmo episódio.
O que está em jogo na sessão de hoje
Este texto está sendo escrito no próprio dia 15 de setembro, com a sessão em curso ou recém-encerrada. Não há, até o momento da redação, resultado divulgado publicamente sobre o julgamento da Petição 16.662. O desfecho deve ser conhecido nas próximas horas ou nos próximos dias, e vale acompanhar as próximas atualizações.
Independentemente do resultado, a decisão de Fachin de separar os dois julgamentos já diz algo sobre o momento institucional. Tratar cada caso isoladamente, em datas diferentes, sugere uma tentativa de conter a crise processo a processo, evitando que ela vire um confronto único e generalizado dentro do Plenário.
Ao mesmo tempo, a gravidade das alegações cruzadas, ministros acusando ministros de direcionamento político de investigações, inclusive contra colegas de Corte, é inédita na história recente do STF. Isso não significa que qualquer das acusações seja verdadeira. Significa que a instituição está lidando, publicamente, com uma disputa interna de proporção que ultrapassa qualquer processo isolado.
Continuaremos acompanhando os desdobramentos e trazendo as atualizações conforme forem confirmadas oficialmente.